Quarta-feira, Julho 21, 2010

A pior das fases

Nunca encontrei alguém que pudesse bater no peito e afirmar que foi um adolescente feliz. Vivi dias terríveis entre os 12 e os 18 anos, situações que, fazendo um retrospecto, nem eram tão bobas assim. Fiquei pensando nisso no final de semana ao ver 12 and Holding, ótimo drama de Michael Cuesta, diretor de séries como Six Feet Under, Dexter e True Blood. Ele mostrou através de quatro personagens de 12 anos como essa idade pode ser chata e infeliz, mas tudo de uma maneira positiva e em alguns momentos poética.

O que pensar quando você é um menino com uma grande marca de nascença no rosto e perde seu irmão gêmeo, mais corajoso e querido pelos pais, num acidente causado por dois valentões do bairro? Ou ser uma menina daquelas que só tem amigos homens, vive com uma mãe terapeuta que pouco lhe dá atenção e um pai totalmente ausente, vivendo sua primeira paixonite juvenil? Ser gordinho numa família de gente igualmente farta em quilos, querendo um estilo de vida diferente e, ainda, tentando salvar uma pessoa que você ama de um desastre iminente? Cuesta mergulha nas histórias dos três personagens como se ele também vivesse esse redemoinho e compreendesse exatamente o que cada um deles sente, sem, no entanto, poupá-los dos dissabores.



Malee se apaixona por um homem mais velho, paciente de sua mãe e o desfecho não é dos melhores. Jacob, o menino com a marca no rosto, vai até às últimas consequências para conquistar a atenção que nunca teve dos pais, e o gordinho Leonard quase morre ao tentar ajudar a mãe, obesa, a ter uma vida diferente. Eles terminam o filme melhores ou mais felizes? Não, mas como em todo bildungsroman, o velho e bom romance de formação, eles se fortalecem até o próximo revés.

Sim, você já viu tudo isso em Conta comigo, Bem-vindo à casa de bonecas e uma centena de filmes que tratam daquela idade maldita entre a infância e vida adulta. Mas poucos tratam do tema de forma tão delicada e ainda de quebra possuem uma trilha tão linda, que traz entre outras coisas a fantástica Help Yourself, do Death in Vegas, conduzida pela voz inacreditável de Hope Sandoval.

No player: About today (The National)

1 comentários:

patriciabc disse...

Ana, fique com vontade de assistir já que para mim essa fase também foi a mais doída. Beijos