Quando foi lançado na Inglaterra, em 2008, Hunger causou um tremendo incômodo entre os críticos e a imprensa em geral. Homônimo do herói dos westerns e artista plástico renomado, o diretor Steve McQueen teve suas escolhas estético-narrativas questionadas e seu filme tachado de libelo em favor da crueldade. Mas como falar de um evento tão terrível como a greve de fome dos 75 ativistas do IRA e a morte lenta do mártir Bobby Sands sem mostrar o sofrimento, a crueldade, a sujeira e a morte?
McQueen ficou conhecido por criar selos trazendo rostos de soldados britânicos mortos em combate no lugar da face da rainha Elisabeth. Em Hunger, seu primeiro trabalho no cinema, ele reproduz a angústia da prisão de e a degradação de um dos nomes mais conhecidos no braço militar do Sinn Féin de uma maneira poética e extremamente bonita.
Essa marca experimental do diretor pode ser vista na cena em que um dos funcionários da prisão lava com uma mangueira as paredes forradas de fezes da cela que Sands ocupava. Outro ponto interessante na construção do roteiro é que à medida que os diálogos do filme vão minguando, o mesmo acontece com o corpo do ativista, vivido pelo ator alemão Michael Fassbender, numa atuação tocante.
O filme não foi exibido por aqui por pura má-vontade dos distribuidores. Enquanto tanta coisa de qualidade duvidosa ganha lugar em pelos menos algumas salinhas nas grandes cidades, Hunger ficou de lado. Mas é possível achá-lo na internet e ver uma das boas surpresas do cinema britânico dos últimos anos.
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14 horas atrás


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